sexta-feira, 18 de maio de 2012

A Viuvinha - José de Alencar


(...)Ela recusou tudo, e contentou-se com um simples vestido preto e algumas rendas da mesma cor, como se estivesse de luto, ou se preparasse para as festas da Semana Santa.

— Assim, depois de cinco anos, disse-lhe sua mãe em voz baixa, persistes em conservar este luto constante.
A Viuvinha sorriu.
— Não é luto, minha mãe: é gosto. Tenho paixão por esta cor; parece-me que ela veste melhor que as outras.
— Não digas isto, Carolina: pois o azul desta seda não te assenta perfeitamente?
— Já gostei do azul; hoje o aborreço! É uma cor sem significação, uma cor morta.
— E o preto?
— Oh! O preto é alegre!
— Alegre! exclamou um caixeiro, admirado dessa opinião original em matéria de cor.
— Eu pelo menos o acho, replicou a moça tomando de repente um ar sério: é a cor que me sorri.