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quinta-feira, 14 de julho de 2011

Omar Khayyam

Rosas, taças, lábios vermelhos:
brinquedos que o Tempo estraga;
estudo, meditação, renúncia:
cinzas que o Tempo espalha.

Omar Khayyam

Guardo as minhas tristezas como a ave
se esconde para morrer. Dá-me vinho, minha amiga,
e escuta os meus gracejos: Vinho, rosas, lábios,
e a tua indiferença pela minha dor.

Omar Khayyam

Não tragam lâmpadas, os meus amigos adormeceram;
estão imóveis, pálidos, como ficarão no túmulo.
Não tragam as lâmpadas,
os mortos não precisam delas.

Omar Khayyam

Na terra cheia de cores alguém caminha:
não é muçulmano, não é infiel, nem pobre, nem rico;
não acredita na Verdade e não afirma nada.
Quem é esse, intrépido e triste?

Omar Khayyam

Somos os peões deste jogo do xadrez
que Deus trama. Ele nos move, lança-nos
uns contra os outros, nos desloca, e depois
nos recolhe, um a um, à Caixa do Nada.

Omar Khayyam

Não pedi para nascer. Recebo, sem espanto ou ira,
o que a vida me entrega. Um dia hei de partir;
não me importa saber qual o motivo
da minha misteriosa passagem pelo mundo.

Omar Khayyam

Escuta, isto ninguém te contou:
Quando a primeira alba clareou o mundo,
Adão já era uma criatura dolorosa,
que pedia a noite, ansiava a morte.

Omar Khayyam

Convicção e dúvida, erro e verdade:
são palavras, como bolhas de ar;
brilhantes, ou baças: vazias,
como a existência dos homens.

Omar Khayyam

O que realmente possuo?
O que restará de mim depois da morte?
É tão breve a vida, uma fogueira:
Chamas, e depois, cinzas.

Omar Khayyam

Não faças planos para amanhã.
Sabes se poderás terminar a frase que vais dizer?
Talvez amanhã estejamos tão longe deste albergue,
como os outros que já se foram há sete mil anos.

Omar Khayyam

No turbilhão da vida são felizes aqueles
que presumindo saber tudo não se instruem.
Fui buscar os segredos do Universo e voltei
invejando os cegos que encontrei pelo caminho.

Omar Khayyam

Vinho! Que palpite em minhas veias,
que inunde a minha cabeça. Silêncio!
Tudo é mentira. Copos! Depressa!
Envelheci muito.

Omar Khayyam

Tantos carinhos, tantas delícias,
tanta ternura no começo do nosso amor.
Mas agora o teu prazer
é dilacerar o meu coração. Por quê?

Omar Khayyam

Sono sobre a terra, sono debaixo da terra.
Sobre a terra, sob a terra: homens deitados.
Nada em toda a parte. Deserto.
Homens chegam, outros partem.

Omar Khayyam

Na feira que atravessas não procures amigos
ou abrigo seguro. Aceita a dor que não tem remédio
e sorri ao infortúnio; não esperes que te sorriam:
Seria tempo perdido.

Omar Khayyam

A vida é um jogo monótono que dá dois prêmios:
A Dor e a Morte.
Feliz a criança que expirou ao nascer;
mais feliz quem não veio ao mundo.

Omar Khayyam

Como o rio, ou como o vento,
vão passando os dias.
Há dois dias que me são indiferentes:
O que foi ontem, o que virá amanhã.

Omar Khayyam

Bebo, mas não sei quem te fez, ó grande ânfora;
podes conter três medidas de vinho, mas um dia
a Morte te quebrará. Numa outra hora perguntarei
como foste criada, se foste feliz, ou por que serás pó.

Omar Khayyam

Além da Terra, pelo Infinito,
procurei, em vão, o Céu e o Inferno.
Depois uma voz me disse:
Céu e Inferno estão em ti.

Omar Khayyam

Hoje os meus anos reflorescem. Quero o vinho que me dá calor. Dizes que é amargo? Vinho! Que seja amargo, como a vida.