sexta-feira, 11 de março de 2011

Arthur Rimbaud - Fome

Se tenho gosto não é senão
Só pelas pedras e pelo chão.
Almoço de ar então,
De rochedo, de ferro, de carvão.

Minhas fomes, girem. Pastem, fomes,
O campo dos farelos.
Atraiam o alegre veneno
Das campainhas-amarelas.

Comam cascalho quebrado que seja,
As velhas pedras da igreja;
Lascas dos antigos dilúvios,
Pães semeados nos vales cinzas.

O lobo gritava sob as folhas
Cuspindo as belas penas
do seu almoço de aves presumo:
Como ele me consumo.
(...)