quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Lima Barreto

Ainda tenho alguma verve para a tarefa do  dia a dia; mas tudo me leva para pensamentos mais profundos, mais doridos  e uma vontade de penetrar no mistério da minha alma e do Universo.  Eu me indago, de mim para mim, se, por acaso, não é amor que me  corrói. Mas vejo bem que não. Passei a idade de tê-lo, fugindo dele, para que  ele não me criasse sofrimento e não prejudicasse a minha ambição de glória. [...]


O pobre do bom Caranguejo, com quem eu jogo bisca calmamente, teve um ataque de nervos, rasgou as vestes e, quase a chorar, dizia:
— Eu não sou nada! Nada! Ponha tudo isto fora!
Deram-lhe uma injeção e ele dormiu, não podendo ir jantar.