quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Lima Barreto

(...)eu sinto que a vida não tem mais sabor para  mim. Não quero, entretanto, morrer; queria outra vida, queria esquecer a  que vivi, mesmo talvez com perda de certas boas qualidades que tenho, mas  queria que ela fosse plácida, serena, medíocre e pacífica, como a de todos.  Penso assim, às vezes, mas, em outras, queria matar em mim todo o  desejo, aniquilar aos poucos a minha vida e sumir-me no todo universal.  Esta passagem várias vezes no hospício e outros hospitais deu-me não sei  que dolorosa angústia de viver que eu me parece ser sem remédio a minha  dor.  Vejo a vida torva e sem saída.
  (Cemitério dos vivos - Lima Barreto)