(...)Hoje as rosas murcharam, o céu turvou-se; e nesta sáfara da vida por que passamos atualmente, apenas florescem os cardos com seus espinhos, as saudades com a sua melancolia, e os goivos com o seu triste emblema.(...) Assim nesta quadra de amarguras e sofrimentos, encontram-se de espaço alguns corações ricos de virtudes e de sentimento; são oásis deste tempo. (...) Vós, minhas leitoras, que sabeis sentir, bem compreendeis o que são estas violetas de que falo; são flores singelas de vossa alma — a cariadade, a beneficência, o zelo, a abnegação.
Também me compreendem os pobres infelizes, que tantas vezes durante estes tempos de provação tem sentido os perfumes suaves, a fragrância consoladora dessas flores do coração, — flores que desabrocham orvalhadas com as lágrimas da desgraça e do sofrimento.
E sobre tudo isto, há ainda a religião, — a nossa bela religião de Cristo,— mãe extremosa de todos os orfãos, — a irmã desvelada de todos os infelizes, — a amiga e companheira fiel dos pobres, — a consoladora de todas as misérias, e todas as aflições.
(...) Aconselho-vos, que apesar dos tempos em que estamos, apesar da tristeza e melancolia que envolve esta bela cidade, apesar de tudo, apesar mesmo das lágrimas, não deixeis de sorrir.
Notais porém que eu digo simplesmente sorrir e não rir.
O riso, é esta expressão vulgar com que exprimimos a alegria, e o bom-humor; é muitas vezes mesmo um movimento nervoso, sem sentido, sem significação, um hábito que se contrai como tantos outros, como o costume de estalar os dedos, de alisar o bigode, ou endireitar o colatinho.
Assim, rir, quando alguém sofre, quando nossos irmãos padecem, é uma ofensa amarga, um insulto à dor e à desgraça; por que esse riso, se não é um escárnio é uma indiferença fria, é um insensibilidade estúpida.
Mas o sorriso é diferente.
O sorriso é esta exaltação da alma, que nos momentos de calma e tranquilidade vem desabrochar nos lábios e abrir-se como uma dessas flores silvestres que o menor sopro desfolha.
Nunca vistes nas noites cálidas e límpidas, essas estrelas brilhantes que atravessam o horizonte, traçando no espaço um rasto luminoso, e brilhando um momento entre a escuridão das trevas?
(...) Assim no meio dos desgostos e das tribulações, quando virdes um sorriso despontar nos lábios de uma linda mulher que vos ame, podeis fazer como o marinheiro; ajoelhai, e murmurai a sua prece. Ave maris stella.
Portanto, minhas belas leitoras, sorri, sorri sempre, como sorri o céu, o mar, e tudo que é belo; (...)